Fruta amazônica reverte manchas: microemulsão com Pouteria macrophylla clareia a pele com eficácia comprovada

Estudo brasileiro testa microemulsão com fruta amazônica e comprova ação despigmentante eficaz e segura para clareamento da pele.

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(Foto: Christopher Borges/Pexels)

Extrato da cutite, incorporado em formulação nanotecnológica, reduz melanina sem causar irritação e supera produto comercial

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma microemulsão tópica à base do extrato da fruta amazônica Pouteria macrophylla, conhecida popularmente como cutite, com potente ação despigmentante. O estudo, liderado por Ana Clara N. Brathwaite, do Laboratório de Tecnologia de Medicamentos e Cosméticos (LTMAC) da Universidade de Brasília (UnB), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Pará (UFPA) e outras instituições, avaliou a eficácia da formulação em diferentes modelos experimentais, incluindo um sofisticado modelo tridimensional de pele humana pigmentada.

A microemulsão foi formulada com surfactantes Cremophor EL® e Span 80 na proporção 4:1, óleo de etil oleato e tampão HEPES com pH 4,5, resultando em partículas com cerca de 40 nanômetros de diâmetro e polidispersidade média (PdI) de 0,40 — características ideais para promover estabilidade e absorção cutânea. Em testes com células B16F10, a formulação foi capaz de reduzir em 32% a melanina intracelular e em 50% a melanina extracelular, sem comprometer a viabilidade celular.

O extrato manteve sua atividade inibitória da enzima tirosinase, fundamental na síntese de melanina, e demonstrou desempenho superior ao de emulsões convencionais: a nova formulação atingiu 20,7% de inibição contra 10,7% observados no produto comparativo. Além disso, ensaios em epiderme humana reconstituída demonstraram que o produto não provocou irritação cutânea, mesmo após exposição direta.

Desempenho e potencial cosmético 

Os resultados mais expressivos vieram do teste com pele 3D pigmentada, no qual a microemulsão promoveu uma despigmentação significativamente mais intensa do que o ativo comercial utilizado como controle. A análise histológica confirmou a eficácia clareadora da formulação sem evidência de danos ou agressões ao tecido.

Publicada na revista Molecules em setembro de 2022, a pesquisa Pouteria macrophylla Fruit Extract Microemulsion for Cutaneous Depigmentation: Evaluation Using a 3D Pigmented Skin Model destaca o potencial de ativos naturais da biodiversidade amazônica aplicados com tecnologia farmacêutica de ponta. A formulação representa uma alternativa segura e eficaz no desenvolvimento de cosméticos clareadores, reunindo ciência, inovação e valorização de recursos naturais brasileiros.

O produto foi patenteado pela Universidade de Brasília (UnB), e a patente pode ser negociada com o Centro de Desenvolvimento Tecnológico da instituição. O registro reconhece oficialmente a originalidade da formulação e abre caminho para futuras parcerias entre universidade e indústria, permitindo que a inovação chegue ao mercado e beneficie a população.

A tecnologia desenvolvida está descrita na patente “Composição contendo extrato do fruto do Cutite (Pouteria macrophylla) (Lam.) Eyma em nanoemulsão e seu uso tópico despigmentante para tratamento de hipercromias”, de autoria de T. Gratieri, J. K. R. Silva, G. M. Gelfuso, M. Cunha-Filho, Juliana Lott de Carvalho e A. C. Brathwaite.

Registro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) sob o número BR10202100805, em 27 de abril de 2021. Leia o artigo completo aqui.

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