Transfersomas apresentam maior direcionamento folicular de dutasterida em estudo in vitro

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Pesquisa da Universidade de Brasília compara transfersomas e lipossomas no transporte tópico de dutasterida para tratamento da alopecia androgenética.

A nanotecnologia tem sido amplamente explorada para direcionar fármacos aos folículos pilosos em busca de tratamentos mais seguros e efetivos para o tratamento da alopecia androgenética. A questão é que existem inúmeros nanocarreadores com características diferentes que podem ser utilizados nessa missão. A escolha do melhor tipo de nanocarreador será influenciada pelas características do fármaco escolhido. No presente caso, a dutasterida é um fármaco extremamente lipofílico, isto é, possui grande afinidade por lipídios, o que faz com que seja eficientemente carregada em nanocarreadores como os lipossomas.

Lipossomas são vesículas lipídicas biodegradáveis, biocompatíveis e consideradas seguras para aplicação tópica. Essas vesículas podem ter suas características físico-químicas alteradas através de pequenas modificações em sua composição, gerando vesículas especiais, como os transfersomas.

Transfersomas são um tipo de lipossoma caracterizado pela alta capacidade de deformabilidade e que já se mostraram capazes de direcionar substâncias a folículos pilosos. Essa característica tem despertado interesse para uso em terapias tópicas, incluindo a administração localizada de dutasterida no tratamento da alopecia androgenética. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) avaliou, em ensaios in vitro, o desempenho de transfersomas em comparação a lipossomas convencionais para o direcionamento folicular do fármaco.

O trabalho, intitulado Evaluation of Dutasteride-Loaded Liposomes and Transfersomes for Follicular-Targeting for Androgenic Alopecia Topical Treatment, investigou a capacidade dessas formulações de concentrar dutasterida na região folicular, reduzindo o risco de absorção sistêmica. Foram desenvolvidas três versões: lipossomas rígidos (com colesterol), lipossomas sem colesterol (convencionais) e transfersomas (com ativador de borda, que aumenta a flexibilidade da vesícula).

A hipótese inicial era a de que as vesículas mais rígidas teriam maior direcionamento folicular, como sugerido diversas vezes na literatura, devido a sua estrutura e ao “efeito catraca” (ratchet effect) promovido pelos próprios fios de cabelo. Quando nanocarreadores são aplicados na pele, tendem a se acumular naturalmente nos folículos pilosos; o movimento dos fios de cabelo, aliado à estrutura escamosa da cutícula, funciona como uma bomba de engrenagem, empurrando esses nanocarreadores para dentro dos folículos. No entanto, os resultados do trabalho em questão foram na direção oposta.

Os testes foram realizados in vitro em pele de orelha de porco, usando células de difusão de Franz. Após 12 horas de aplicação, mediu-se a quantidade de dutasterida retida nas camadas cutâneas e nos folículos, calculando-se o índice de direcionamento folicular – em inglês, follicular targeting factor (Tf), que mostra a proporção do fármaco depositada nos folículos em relação ao total retido nas camadas da pele. Transfersomas apresentaram Tf de 0,32, contra 0,15 nos lipossomas rígidos, diferença estatisticamente significativa (p < 0,005).

Embora tais resultados sejam divergentes da hipótese inicial, muitos outros trabalhos publicados na literatura já haviam indicado essa possibilidade. Vesículas mais rígidas ficam mais retidas nas camadas superficiais da pele, enquanto vesículas elásticas penetram mais facilmente através das camadas da pele, o que pode levar à absorção sistêmica. No caso do estudo, a deformação das vesículas elásticas conferiu vantagem na maior capacidade desses nanocarreadores no direcionamento folicular, sem que a dutasterida atravessasse a pele.

Para além disso, é necessário também ressaltar que o colesterol dos lipossomas rígidos tem o potencial de competir com a dutasterida, acelerando a liberação do fármaco dos lipossomas, potencialmente impedindo a formação de depósitos do fármaco nos folículos pilosos; o que acontece em muito menor grau nos casos dos transfersomas, que tem a liberação da dutasterida consideravelmente menor no mesmo período.

A pesquisa também incluiu análise de estabilidade físico-química, tamanho de partícula e eficiência de encapsulamento, parâmetros relevantes para formulações de liberação controlada. Embora os resultados indiquem potencial para aplicação clínica, os autores ressaltam que novas etapas, como estudos de estabilidade prolongada, segurança e eficácia in vivo, além de ensaios clínicos, são necessárias antes da implementação em terapias para alopecia androgenética.

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Doutora em ciências farmacêuticas pela Universidade de Brasília e especialista em Saúde Estética.
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