Tarracha medicamentosa trata alergia a bijuterias

Tarracha medicamentosa impressa em 3D trata inflamações causadas por brincos

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(Foto: Diego Castañeda/Unsplash)

Dispositivo criado por pesquisadores brasileiros alia impressão 3D e liberação controlada de fármacos para reduzir inflamações e reações alérgicas em lóbulos auriculares perfurados

Muitas pessoas passam pelo desconforto de usar um brinco e apresentar coceira, que pode chegar a machucar. Por isso, pesquisadores brasileiros desenvolveram uma tarracha de brinco com ação terapêutica, capaz de tratar inflamações e reações alérgicas causadas por perfurações estéticas, brincos e piercings na orelha. O dispositivo, é um protótipo apresentado no estudo publicado Customizable Three-Dimensional Printed Earring Tap for Treating Affections Caused by Aesthetic Perforations, em janeiro de 2024, na revista científica Pharmaceutics. Produzido por impressão 3D, o dispositivo  incorpora um sistema de liberação controlada de fármacos, com o objetivo de aliviar sintomas como vermelhidão, coceira, dor e descamação, comuns em pessoas com sensibilidade a bijuterias. 

A alergia a bijuterias e as complicações em perfurações auriculares representam desafios frequentes em consultórios dermatológicos e clínicas de estética. Quando a inflamação ocorre logo após a perfuração, a remoção do acessório causa o fechamento do furo, levando à frustração do paciente que acabará obrigado a refazer o procedimento ou permanecer sem o furo. 

O acessório foi projetado para substituir as tarrachas convencionais e realiza o tratamento sem a necessidade de remover o acessório. Além disso, ele pode ser personalizado de acordo com o formato da orelha e as necessidades clínicas do paciente. A estrutura é impressa em 3D utilizando a técnica de Fused Deposition Modeling (FDM), que permite adaptar o formato, o tamanho e a composição da tarracha de maneira individualizada, ou seja, o paciente pode combinar medicamentos específicos para o tratamento do seu caso individualizado.  Os filamentos utilizados no processo de impressão contêm polímeros biocompatíveis carregados com agentes terapêuticos, como anti-inflamatórios ou antibióticos, incorporados diretamente ao material durante a fabricação.

Esses fármacos são liberados de forma gradual em contato com a pele, promovendo ação prolongada e localizada na região perfurada da orelha, sem interferir na estética do brinco. Testes laboratoriais demonstraram que o protótipo apresenta boa resistência mecânica, estabilidade do princípio ativo ao longo do tempo e permeação cutânea eficaz. 

O modelo demonstrou eficácia na liberação sustentada do ativo por até 72 horas, favorecendo o processo de cicatrização e reduzindo a exposição sistêmica aos medicamentos. A tecnologia pode ser aplicada não apenas em casos de alergia a bijuterias, mas também como suporte terapêutico em procedimentos de colocação de brincos e piercings, especialmente em pacientes com histórico de sensibilidade cutânea.

Impacto para a prática clínica e estética

A tarracha medicamentosa representa uma nova alternativa de cuidado para quem sofre com inflamações ou reações após o uso de brincos. Entre os principais benefícios estão a redução de reações inflamatórias associadas ao uso de acessórios metálicos, a possibilidade de tratar complicações locais sem a necessidade de remover o brinco e a personalização da terapia conforme o perfil do paciente e do agente causal. 

Combinando personalização e tecnologia de impressão 3D, o estudo mostra um exemplo de como a pesquisa pode contribuir para soluções mais confortáveis e seguras na área dermatológica e estética. Essa integração entre ciência e tecnologia amplia as possibilidades de criar dispositivos médicos sob medida, voltados às necessidades individuais dos pacientes, promovendo tratamentos mais eficazes e com menor risco de efeitos adversos. A tarracha medicamentosa representa, assim, um passo importante na aplicação prática da impressão 3D na saúde, indicando caminhos promissores para o desenvolvimento de novas terapias personalizadas.

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Farmacêutica, doutora em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília (2022) e mestre em Ciências Farmacêuticas (2018). Possui ainda especializações em Gestão e Docência no Ensino Superior e em Vigilância Sanitária, além de MBA em Gestão Farmacêutica. Atua como Analista em Ciência e Tecnologia no CNPq.
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